Eternamente Menina
Serei eternamente menina, nas minhas memórias, nos meus amores, nos meus sorrisos... Esta é uma página, que se pretende não ser apenas de memórias de amores perdidos... mas sim, a lembrança de que o amor nunca morrerá no meu coração de menina...
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Imagem de Victor Jorgensen
A água corre silenciosamente da torneira e uma ténue linha de fumo desenha-se no espelho à minha frente, enquanto preparo os sais e as essências onde me quero banhar.
A música toca baixinho. Ao som da RFM dispo-me lentamente, numa sincronia perfeita, respondendo ao apelo da música difundida no Oceano Pacífico.
Acendo meia dúzia de velas, dispostas religiosamente, que acentuam ainda mais a luminosidade transmitida através do espelho.
O tema da música inebria os meus sentidos e, calmamente, entro na água tépida da banheira.
Embalada pela voz sensual, nem me apercebo do tempo que passou quando sinto a sua presença, olhando-me com olhos malandros enquanto despe calmamente a roupa que cai a seus pés.
Fixo o corpo nu à minha frente e sorrio, num convite descarado, que ele aceita sem hesitar.
Sinto as mãos percorrerem-me como que acompanhando a melodia e deixo-me arrastar…
Os meus lábios sequiosos percorrem a sua pele impedindo as mãos de me tocar. Quero ser eu a comandar os meus desejos e explodir o frenesim que pressinto em mim.
Busco nele a força que aumenta o meu desejo.
Um tremor perpassa-me quando sinto o seu calor e ergo-me vigorosamente em ondas que vão e vêm em busca do orgasmo que sinto dentro de mim.
Arranho os seus ombros, penetrando-me cada vez mais fundo, enquanto sinto os lábios húmidos correrem o meu seio, mordiscando-me de uma forma que me deixa completamente louca.
Não tenho forma de impedir a agitação que me deleita deixando-o cada vez mais próximo da explosão que eu tento controlar temendo o fim que se aproxima.
De repente, a força do seu abraço força-me a mergulhar e sinto que nada pode impedir o vigor abrasador que, numa convulsão, mergulha até ao fim em mim.
Tremo, numa sintonia espasmódica que não consigo impedir, enquanto a música de fundo continua a tocar.
Abro os olhos. Que loucura a minha! Tremendo de frio, sozinha, neste sonho, deixando as velas apagar.
(memórias minhas...)
debruço, às vezes serena, o meu olhar,
para no meio do sol poente
ver o Mundo por mim passar.
Já fui menina e moça e ergo, contente,
os meus olhos castanhos para o ar
e, ao clarão do luar adolescente,
como todos, um dia aprendi também a amar.
E fui princesa de sonhos estonteantes,
heroína de mil baladas e poemas,
nos braços do meu cavaleiro andante
descobri os prazeres de ser terrena.
Desfolha-se na areia mais um dia:
uma dor, uma esperança, uma alegria.
O dia morre. Uma saudade vem
na magia que este Mundo tem.

De asas abertas na imensidade,
pássaro faminto de liberdade,
voa, voa…
és viajante, cruza o espaço
que o teu vôo não tem cansaço
voa..voa…
Sentido sonho o que sonhaste
por sobre campos, águas e flores,
fala de sentires e amores
e, voa como os falcões
contornando os furacões…
Pássaro que sentis a tempestade
quando ela ao longe vem,
voa nessa claridade
do puro azul que vos faz bem!
Neste dia… um novo começo...